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Château de Versailles

O Palácio de Versalhes (em francês Château de Versailles) que é um château real localizado na cidade de Versalhes, uma aldeia rural à época de sua construção, mas atualmente um subúrbio de Paris.

Versalhes pode ser facilmente visitado por quem está em Paris. Uma das linhas do metrô RER deixa os visitantes a uma curta caminhada da entrada do palácio.

Desde 1682, quando Luís XIV se mudou de Paris, até que a família Real foi forçada a voltar à capital em 1789, a Corte de Versalhes foi o centro do poder do Antigo Regime na França.

Poucas palavras carregam em si um simbolismo tão forte ou possuem uma mistura tão intensa de emoções, arte, poder, cultura, história e mudanças sociais. Talvez a melhor forma de atravessar seus portões dourados e adentrar no Château de Versailles seja considerar esta visita como o início de uma jornada ao passado da França. Uma aula sobre, como diz a inscrição no alto de um de seus prédios, A Todas as Glórias da França.

parisversailhes08927Versalhes tornou-se a casa da nobreza francesa e a sede da Corte Real, tornando-se assim o centro do Governo Francês. O próprio Luís XIV viveu ali, e simbolicamente a sala central da extensa faixa de edifícios era o quarto de dormir do Rei (La Chambre du Roi), o qual era, ele próprio, centrado na luxuosa e simbólica cama de estado, colocada entre um rico corrimão, não diferente das cercas dos altares. Todo o poder da França emanava deste centro: ali existiam gabinetes governamentais, tal como as casas de milhares de cortesãos, dos seus acompanhantes e dos funcionários da Corte.

Versalhes permaneceu Real mas sem uso durante a Restauração da Dinastia Bourbon. Em 1830, Luís Filipe, o “Rei Cidadão” declarou o palácio como um museu dedicado a “todas as glórias da França,” o que acontecia pela primeira vez num monumento dinástico dos Bourbon. Ao mesmo tempo, painéis provenientes dos apartamentos de príncipes e cortesãos foram removidos, e encontrados mais tarde, sem indicação de proveniência, nos mercados de arte de Paris e Londres. O que permanece são 120 salas, as modernas “Galeries Historiques” (Galerias Históricas).

O curador Pierre de Nohlac começou a conservação do palácio na década de 1880, mas esta não teve o financiamento necessário até à doação de 60 milhões de Francos por John D. Rockefeller, entre 1924 e 1936. A sua promoção como local turístico começou na década de 1930 e acelerou-se nas décadas de 1950 e 1960.

O deslumbrante interior do palácio de Versailles.
O deslumbrante interior do palácio de Versailles.

Na década de 1960, Pierre Verlet, o grande escritor da história do mobiliário francês, conseguiu que algum do mobiliário Real regressasse a Versalhes desde os museus, ministérios e residências de embaixadores onde se encontravam dispersos. Ele concebeu o arrojado esquema de remobiliar Versalhes. O mobiliário dos Appartements Royales que os turistas podem ver atualmente deve-se ao sucesso da iniciativa de Pierre Verlet.

ÁGUA

Providenciar água suficiente para abastecer as fontes de Versalhes foi um problema desde o início da construção. A água necessária para alimentar as fontes do palácio era providenciada pela, actualmente localizada em Bougival. Esta máquina era induzida pela corrente do Sena, a qual movia catorze vastas pás giratórias, sendo um milagre da moderna Engenharia hidráulica, talvez a maior máquina integrada do século XVII.

A máquina bombeava água para os reservatórios de Louveciennes (onde a Madame du Barry tinha um pavilhão na década de 1760, o Château de Louveciennes). A água fluia, então, ou para abastecer a cascata do Château de Marly ou, passando através de uma elaborada rede subterrânea de reservatórios e aquedutos, em direcção às fontes de Versalhes. Apenas uma podia ser operada com caudal suficiente de cada vez, invariavelmente o local onde o rei estava.

HISTÓRIA

Em 1660, de acordo com os poderes reais dos conselheiros que governaram a França durante a menoridade de Luís XIV, foi procurado um local próximo de Paris mas suficientemente afastado dos tumultos e doenças da cidade apinhada. Paris crescera nas desordens da guerra civil entre as facções rivais de aristocratas, chamada de Fronde. O monarca queria um local onde pudesse organizar e controlar completamente um Governo da França por um governante absoluto. Resolveu assentar no pavilhão de caça de Versalhes, e ao longo das décadas seguintes expandiu-o até torná-lo no maior palácio do mundo. Versalhes é famoso não só pelo edifício, mas como símbolo da Monarquia absoluta, a qual Luís XIV sustentou.

parisversailhes08881Aposentos:  Algo que impressiona um pouco no palácio são as cores de todos os aposentos. Possui quartos com as paredes cobertas de tecido vermelho (ótimo se o príncipe tivesse asma), e escritórios cobertos por decorações não menos chamativas.

Sem contar com os afrescos no teto que são muito bonitos, mas se você pensar que alguém morava ali, bombardeado por todas aquelas cores o tempo todo, não é menos que o esperado que todos aqueles nobres fossem loucos mesmo. Um assunto que recebe comentários engraçados é a proporção da cama do príncipe, super curtinha e larga quase como se estivesse colocada de lado.

A primeira construção neste local teve origem com o monarca Luis 13. Em 1631 ele comprou o terreno da família Gondi. O rei gostava de caçar, e neste local um pouco afastado de Paris, ele podia praticar seu esporte predileto. Mandou então construir no centro do terreno, um casarão, um pequeno Château, para receber ao rei e seus companheiros de caçadas. Após a morte de Luis 13, o herdeiro da coroa, Luis 14 tinha apenas cinco anos. Assim o endereço permaneceu abandonado durante quase 20 anos. Apenas em 1661 Luis 14 surge de fato na política. Humilhado por adversários em seus primeiros anos de vida, mas já com idéias próprias, transforma-se numa pessoa extremamente orgulhosa, e com traços de megalomania. Concluiu então que a melhor forma de demonstrar poderio e riqueza seria a partir da construção de um fabuloso palácio, dotado de luxo e esplendor até então sem igual.

Os melhores artistas da época foram contratados para contribuir, cada um em sua especialidade. Le Vau, Le Brun, Molière, La Fontaine, Le Notre. Empresas foram criadas especialmente para fabricar o material que seria utilizado em Versalhes. Mármores, porcelanas, cristais, mobiliário, o país inteiro foi mobilizado para esta obra. Engenheiros, arquitetos, decoradores, paisagistas, jardineiros, escultores, pintores, artesãos, a lista era infindável. Os números da obra dão uma boa idéia de suas dimensões. Em 1683 o total de trabalhadores na construção chegava a 30 mil pessoas. Mas ainda não eram suficientes.

Foram então convocados os soldados do exército real para ajudar. Durante praticamente todo seu reinado Luis 14 conviveu com a terra, poeira, barulho e imensas despesas da construção de Versalhes. Um dos maiores desafios foi a construção dos parques e jardins que deveriam cercar o palácio, e para eles foi criado um sistema independente de abastecimento de água. O comprimento do parque era de 3 km, com área de 100 hectares, intercalados por 1400 fontes. No centro do parque seria construído o Grand Canal, lago com 1,6 km de extensão, e o Petit Canal com 1 km. Ao lado, a Galeria dos Espelhos do palácio.

Ao final de seu reinado, Luis 14 está satisfeito. Ele é conhecido como Rei Sol, e cada um de seus passos em Versalhes é o centro das atenções da França. Impõe um rígido ritual, onde sua figura é valorizada ao máximo, como se fosse o próprio Astro Rei. Seu despertar é tão importante como o nascer do sol, e membros da corte disputam o privilégio de estar presentes para atender ao monarca em suas primeiras necessidades do dia. Sua rotina é seguida de perto por uma corte embevecida, pronta a venerar, adular, e ávida por receber favores.

Ele é praticamente um Deus. Sob o comando e inspiração do Rei Sol havia sido construído o maior e mais belo palácio de todos os tempos. Uma glória para o rei e um orgulho para a França.

Em 14 de julho de 1789 correm boatos que o exército vai reprimir as manifestações de rua e atacar a população da cidade, o que leva uma multidão enfurecida a invadir um dos mais odiados símbolos do poderio real, a Prisão da Bastilha, em Paris. É o início da revolução francesa. Alheia aos eventos, a corte prossegue com sua rotina, e um banquete promovido no palácio transforma-se na gota de água da revolta popular contra a família real. Em 5 de outubro de 1789 o palácio de Versalhes é invadido e a família real detida. Levados a seguir para uma prisão de Paris, são julgados e condenados por um tribunal revolucionário. Quatro anos mais tarde são todos executados na guilhotina.

O Palácio de Versalhes, visto como um dos símbolos da odiada monarquia, também paga seu preço. Mobílias são confiscadas e leiloadas, grande parte de suas obras de arte é transferida para o Museu do Louvre, em Paris. Esvaziado e abandonado, Versalhes transforma-se num conjunto de ruínas em decomposição. Napoleão Bonaparte, quando chegou ao poder, quis até mesmo demoli-lo. Ele seria ainda ocupado pelos alemães, na guerra de 1870, e transformado em sede da assembléia nacional de 1879

Incumbido da tarefa de transformar o que era o pavilhão de caça de Luís XIII, no mais opulento palácio da Europa, o arquiteto Louis Le Vau reuniu centenas de trabalhadores e começou a construir um novo edifício ao lado do já existente. Foram assim realizadas sucessivas ampliações – apartamentos reais, cozinhas e estábulos – que formaram o Pátio Real.

Le Vau, não conclui as obras. Após sua morte Jules Hardouin-Mansart tornou-se, em 1678, o arquiteto responsável por dar continuidade ao projeto de expansão do palácio. Foi quem construiu o Laranjal, o Grande Trianon, as alas Norte e Sul do Palácio, a Capela e a Galeria de Espelhos (onde foi ratificado, em 1919, o Tratado de Versalhes). A última, trata-se de uma sala com 73m de comprimento, 12,30m de altura e iluminada por dezessete janelas que têm a sua frente, espelhos que refletem a vista dos jardins.

Construído pelo rei Luís XIV, o Rei Sol, a partir de 1664, foi por mais de um século modelo de residência real na Europa, e por muitas vezes foi copiado.

Magnífico: Considerado um dos maiores do mundo, o Palácio de Versalhes possui duas mil janelas, 700 quartos, 1.250 lareiras e 700 hectares de parque. É um dos pontos turísticos mais visitados de França, recebe em média oito milhões de turistas por ano e fica a três quarteirões da estação ferroviária.

Louis 14, rei da França, considerava-se o Rei Sol, e costumava dizer: L’Etat c’est moi (o estado sou eu), consciente de seu poderio e de seus direitos divinos sobre o trono. Maria Antonieta, ao saber que o povo não tinha pão para comer teria dito: Que comam brioches! Frases que nos remetem a uma época e endereço únicos da história: Versalhes.

Um mundo à parte: assim é Versalhes no final do século I8. Além do enorme palácio real, o local é composto por prédios anexos que abrigam toda a corte e servem de sede do governo. A 23 quilômetros de Paris e alheios à vida miserável da maioria dos franceses, os nobres vivem uma rotina de futilidades financiada pelos impostos cobrados da população. As 10 mil pessoas instaladas aqui (quase 3 mil membros da nobreza e, de resto, empregados e funcionários) gastam 6% de toda a arrecadação francesa. Quase todo o resto é consumido por dívidas militares e sobra muito pouco para os outros 19 milhões de franceses espalhados pelo país. Desinteressado de seu papel de governante, Luís XVI se mantém distante das atividades políticas.

Versalhes foi o mais ricamente equipado palácio da Europa até que a realização de longas séries de leilões nas suas instalações, as quais se desenrolaram por meses durante a Revolução, o esvaziaram lentamente de todos os fragmentos de amenidade, a preços ridículos, maioritariamente por brocanteurs (sucateiros) profissionais.

Mas, talvez o que emocione ainda mais, seja andar pelos mesmos aposentos e corredores onde o Rei Sol e sua corte representavam o ritual de cada dia, cruzar os salões de baile onde Madame de Pompadour organizava festas de luxo para Luis 15, ou então subir à sacada de onde uma jovem Maria Antonieta viu a multidão invadir os portões dourados de seu palácio, prestes a mudar sua vida e também a história do mundo.

Em ouro: A sala dos espelhos, em sua grandeza! Como obra central da terceira campanha de construção de Luís XIV, a construção da Galerie des Glaces — a Galeria dos Espelhos — começou em 1678.
Em ouro: A sala dos espelhos, em sua grandeza! Como obra central da terceira campanha de construção de Luís XIV, a construção da Galerie des Glaces — a Galeria dos Espelhos — começou em 1678.

A principal característica da sala dos espelhos são os dezessete espelhos em arco que refletem as dezessete janelas igualmente arcadas que dão vista para os jardins. Cada arco contém vinte e um espelhos com um total de 357 espelhos no conjunto da decoração da galerie des glaces.

Espelhos: No século XVII, os espelhos eram um dos mais dispendiosos elementos que se podia possuir e na época, a República de Veneza controlava o monopólio e a manufatura dos espelhos. Em ordem a manter a integridade da sua filosofia de mercantilismo, a qual requeria que todos os elementos usados na construção de Versalhes fossem feitos na França, Jean-Baptiste Colbert atraiu vários trabalhadores de Veneza para fazer espelhos na Fábrica Gobelins[28] para uso em Versalhes .

Nos reinados sucessivos de Luís XV e Luís XVI, a galerie de glaces continuou a servir para funções familiares e da Corte. Embaixadas, nascimentos e casamentos foram festejados naquela sala; de qualquer forma, talvez o mais célebre evento do século XVIII tenha ocorrido no dia 25 de Fevereiro de 1745: o celebrado Bal des Ifs (Baile dos Teixos). Foi durante este baile de fantasia que Luís XV, que estava vestido como um teixo, conheceu Jeanne-Antoinette Poisson d’Étiolles, que estava vestida como Diana, deusa da caça. Jeanne-Antoinette, que se tornaria amante de Luís XV, ficou mais conhecida na história como Madame de Pompadour .

Hall dos Espelhos: A ala foi construída entre 1678 e 1684 a mando de Luís 14 (1638-1715), o Rei Sol. São 357 espelhos rodeados por pinturas de Charles le Brun. O local passou recentemente por uma restauração que custou US$ 16 milhões e durou três anos. Andar pela galeria é, mais que admirar, imaginar as cenas históricas de que foi palco. Como a ocorrida em 28 de junho de 1919, orquestrada por Georges Benjamin Clemenceau, então primeiro-ministro francês.

Versalhes continuou como centro da França, e passou a brilhar ainda mais com a chegada de Madame de Pompadour, a elegante e culta amante de Luis 15, que trouxe ao palácio um toque de luxo e refinamento até então desconhecidos pela corte. Ela costumava organizar grandes festas, banquetes, shows e diversos tipos de atividades culturais. O número total de integrantes da corte vivendo em Versalhes ultrapassava 2 mil pessoas, fora a criadagem. Rei, rainha, filhas, filhos e amante viviam todos em Versalhes, e seu relacionamento, ao que consta, era ótimo. O palácio é como uma ilha da fantasia, onde tudo é belo e refinado, mas fora de seus portões a situação do país é bem diferente, e nuvens de tempestade começam a surgir no horizonte.

O filho do Rei Sol subiu ao trono ainda criança, e detestava o protocolo da corte criado por seu pai. Passava grande parte do tempo refugiado em seus aposentos particulares de Versalhes. Seu reinado foi, no entanto, um dos mais longos da história da França. Durante os 59 anos em que Luis 15 governou, o país conheceu um período de grande prosperidade. Aos quinze anos casou-se com Maria Leszczinska, filha do rei da Polônia e teve muitos filhos. Ao lado, os jardins da Orangerie.

Com a morte de Luis 15, em 1774, sobe ao trono Luis 16, jovem e despreparado para o poder. Casa-se com Maria Antonieta, de apenas 15 anos, filha da imperatriz da Áustria. O casal é jovem e bonito, mas totalmente despreparado para as responsabilidades políticas do cargo e para os tempos difíceis que se aproximam. Enquanto a situação das elites é confortável, o povo passa necessidades. Não há trabalho. Não há dinheiro sequer para comprar pão. Revolucionários agitam Paris. Multidões fazem protestos, mas os soberanos não enxergam a gravidade do momento, e mal assessorados, nada fazem para atenuar a situação. O ódio da população contra a monarquia aumenta cada vez mais.

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